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[RESENHA] Amor na Pandemia e o Cisne Negro - Tiago Ivo Odon





TÍTULO: Amor na Pandemia e o Cisne Negro
ANO DE LANÇAMENTO: 2022
EDITORA: Viseu  
NUMERO DE PAGINAS: 120
CLASSIFICAÇÃO: 


SINOPSE: É uma história de transformação pessoal após o fim de um casamento, um encontro aleatório com uma garota e o advento de uma pandemia.









Assassinato da dor



APERTE O PLAY


     A água ficava super gelada em contado com o meu rosto, esfreguei mais forte no intuito de tirar toda a maquiagem, limpar a fantasia que era obrigada a vestir todos os dias. Olhei no espelho e me senti melhor pois toda sombra, rímel e lápis desenhavam uma escuridão atraente sobre meus olhos azuis claros e bochechas rosadas, assim estava bom.
     Olhei em meu reflexo desfigurado e tentei compreender porque era tratada como a definição da perfeição para outrem. Eu dominava a obediência,  solidariedade, quietude, responsabilidade, e para melhorar era bonita. A beleza foi pura sorte, apesar de que eu a odiava. Todo resto era insignificante, quando estamos no vazio fazemos de tudo para não sermos vistos, observados. E a melhor maneira de se manter invisível é não chamar atenção.
      Amarrei meu loiro cabelo liso em um coque, daqueles que me deixam com uma dor de cabeça tremenda por estar tão apertado, mas assim eu podia ver com precisão o meu rosto. Tirei meu vestido rosa, aquele clássico mamãe vai ficar feliz, fiquei somente de calcinha e sutiã. Iria poupar um pouco de dor e vergonha para quem me encontrasse.
      Busquei por Carina Round - 'For Everything A Reason' em meu celular, a clássica música para essa ocasião especial, sempre achei que seria essa a trilha sonora para o meu fim, para a minha salvação.
      Entrei na banheira com a água escaldante, minha pele sempre ficava vermelha com rapidez devido a claridade de minha pele, eu adorava essa reação, a ação que era capaz de transformar meu corpo, mudar minha inútil carcaça. Passei a mão pelo meu braço esquerdo, desenhei com meus dedos suavemente minhas amostras de amores, minhas cicatrizes. Eram tantas, em todas as direções. Quando as fazia era um apelo para a vida, para o significado dela. Nunca odiei viver, o que eu não gostava era do vazio ensurdecedor que ela me obrigava a suportar. Não me encaixar em nada, não ser verdadeiramente boa em algo e não sentir amor ou paixão ao realizar tarefas, essa foi toda a minha vida. Quando eu me tatuava, não da forma convencional eu era capaz de sentir, sentir no corpo o que a alma e o espírito não sentiam, eles eram ocos, infelizmente. 
     Peguei no chão envolta de um paninho branco a navalha que roubara do meu pai logo de manha, antes de toda a festa, ou encenação melhor dizendo. Agora eu não iria acabar com minha vida, viver implica agir e eu apenas existia, nesse momento eu iria acabar com a dor, matar a velha e assustadora angústia sue não tinha cura, aquela que se alojava longe do físico, em um lugar intocável.
      Passei a navalha com força e precisão em cada pulso no sentido horizontal, enquanto o vermelho do meu sangue tingia a água límpida fechei os meus olhos e fui afundando.
      Chega um momento que cansamos de encenar, a imagem que passamos vai ficando borrada e se apagando, precisamos nos entregar para aquilo que queremos. E agora eu vou encontrar a verdadeira paz.

[TEXTO] Daquelas duvidas que só crescem

         fotos-lanchonete-14

         Ela entrou no estabelecimento apressada, visualizou uma mesa no fim do corredor, daqueles que ninguém escolhe pela falta de luz e porque os garçons parecem não perceber sua presença. Se encaminhou até o local e sentou de costas para a parede, de modo que podia ver toda a lanchonete que estava lotada. Ficou alguns instantes perdida entre o bater dos talheres nos pratos, ouvindo conversas sobre o cachorro da vizinha que destruiu as margaridas, no choro da uma criança que queria um doce, no balconista pedindo calma que logo alguém iria lhe atender.
- O que você deseja? - perguntou o garçom tirando a caneta do bolso da camisa e levando até a caderneta.
Ela pensou sobre a pergunta, o que ela desejava? No momento ela desejava voltar no tempo, aonde havia brilho nos sonhos, naquele passado onde ela achava que odiava viver, mas que hoje faz falta.
Onde os sonhos mais bobos de como ser atriz, conhecer gente famosa ou ir morar na lua era possível. Ela sente falta da sensação maravilhosa que sonhar lhe causava, hoje ela tem que suportar o gosto azedo que sobreviver as escolhas lhe causa. Ela achava que crescer, tomar decisões e ser adulta era bom. Mas acabou tropeçando nessa realidade nada divertida.
- Moça, qual seu pedido? - Perguntou novamente o garçom impaciente.
- Ah me desculpa, eu quero um suco de maracujá com água, por favor!
- Certo - O garçom anota o pedido rapidamente - Mais alguma coisa?
O que mais ela quer? Ela não quer mais morar no medo, fazer companhia constantemente a angustia. Quer encontrar prazer no seu dia a dia. Ela quer mudar, mas o medo de bater de cara nas consequências de uma escolha mal feita, ataca novamente. Ela quer escapar ou desistir, mas sabe que vai haver decepção para pessoas que confiaram nela, e ela não quer mais estragos.
- Moça?
- Só isso mesmo, obrigada.
O garçom arranca a notinha e deixa em baixo de um potinho de flor, a deixa sozinha com seus pensamentos estranhos.
Ela adora ir naquele lugar e tomar seu suco preferido, suco de maracujá  lembra sua casa, o conforto de uma família que ela não vê faz meses, e sente aquela saudade que lhe aperta o peito novamente. Ela acha que exagera demais, pois como os outros falam, nem vinte anos ela tem, ela pode fazer o que ela quiser. Mas é isso que lhe deixa assustada, ela não sabe o que quer, apenas suporta o que a vida lhe oferece, sendo bom ou não.
O suco chega geladíssimo daquele jeito que ela gosta, para amortecer um pouco o calor insuportável que ela detesta. Bebe todo em um gole e vai pagar a conta com suas moedinhas contadas.
E assim vai embora com as mesmas angustias e duvidas que chegou.

[TEXTO] Ainda existe vocês




Já era a décima folha que ela amassava e tentava acertar o cesto, talvez a vontade era de que as palavras fossem enterradas no lixo. Deixou o caderno cair no chão junto a velhas fotografias que ajudaram no alvoroço sentimental em que se encontrava, fechou os olhos tão forte que as pálpebras chegaram a doer, mas mesmo essa dor física era melhor que a dor no coração, cedeu ao cansaço e deitou na cama. As lagrimas brotavam como chuvas em uma tempestade, a musica do Arctic Monkeys ao fundo só tornava tudo pior, trazia lembranças de momentos que precisavam ser esquecidos, ela não era capaz de colocar todos os sentimentos, tudo que havia acontecido, tudo que estava engasgado e entalado em sua garganta, no papel elas pareciam apenas palavras mortas, e no peito ela sentia arder, sentia muito, sentia tudo que precisava desaparecer. Fazia anos e ela acreditava ter esquecido, mas de onde esse sentimento escapou? havia uma brecha por onde ele passou e veio para mostrar que ainda existia? E quando percebeu que ainda mexia com todo o seu ser, ela desmoronou. Era tão cômico pois estava e vivia o que queria, ela fugiu de você, e agora se encontrava de fronte aos velhos sentimentos.
Ela virou o rosto e viu uma foto bem na beiradinha da cama, quase caindo, quase desaparecendo. Esticou o braço e a pegou antes que se fosse, e era a foto favorita de vocês, entre tantas fotografias essa fora tão especial, a primeira tirada, onde ainda havia um constrangimento hilariante, ficou encarando a fotografia com tanta sensibilidade, o que ela mesma sentia naquele momento, e como você havia prometido ficar com ela para sempre. Ela acreditou que esqueceria pois a raiva que sentia era tão grande, e você a conhecia o suficiente para saber o quanto de orgulho cabia naquele corpinho tão pequeno, mas ela ainda pensa em você, ainda vive você, ainda existe vocês!
Desde que essa fagulha desesperadora reapareceu a estabilidade emocional está pendendo, ela sabe que não será capaz de terminar essa carta, e que nunca a enviaria. Senta na cama, a na frente o espelho mostra o vislumbre da antiga menina que vivia uma felicidade e não foi capaz de a proteger, agora a maturidade está lhe trazendo infelicidade em parcelas. Os papeis jogados no chão lhe mostram que não será fácil escrever, então pega a foto e coloca no envelope de envio, talvez apenas uma imagem seja capaz de transmitir tudo que precisa ser dito.

[TEXTO] Para sempre minha

             

          Não faz nem cinco minutos que levamos as suas malas para perto da porta portanto temos uma hora juntos. Ela volta para a casa da família nas férias o que me deixa morto de saudades, mas ela volta, sempre volta para mim. Estamos deitados em seu colchão no chão, já faz alguns meses que quebramos sua cama então esse cantinho se tornou nosso refugio, nesse exato momento ela esta deitada em meu peito, e como toda as vezes que estamos juntos, amarrou o cabelo para ficar relaxada.
 Você fica linda de cabelo prezo – Falo passando a mão nos fios que estão rebeldes.
 Mor, você tem que se decidir. Quando estou de cabelos soltos você diz que fico linda e de cabelo prezo também –  Responde sorrindo e com a pouca luz que entra da janela sou capaz de ver sua covinha única e suas sardinhas sorrirem junto.
E é a mais pura verdade, eu a acho linda de qualquer maneira, mas ela tem dificuldades de aceitar elogios, me diz que o agradecimento a outros é mera resposta enquanto comigo ela insiste no contrario, fico chateado e toda vez ela tenta me explicar que comigo se sente bem e pode ser verdadeira, porem a verdade é que ela não consegue enchergar o quanto realmente é linda. 
           Ela respira tranquilamente, está de olhos fechados e às vezes suas pálpebras tremem, sei que ela está segurando as lágrimas e eu me odeio por isso, não posso passar as datas comemorativas ao seu lado e ela fica muito triste, percebo sua força para se manter serena e por isso ela não me olha quando pergunto.
 No que você está pensando? 
 No quanto eu te amo! – Agora ela abre os olhos e as lagrimas estão lá, brilhando como perolas em cada um.
 E quanto é isso?  Pergunto só para dar continuidade a brincadeira pois já sei o que fará, uma cena que ela viu em um filme e achou linda, adotou para nós. É tão bobo e eu a amo mais cada vez que a repete. 
           Ela levanta a mão esquerda e aperta o dedo polegar com o indicador, eles formam uma pequena pinça e as unhas se esbarram.
 O meu amor começa nessa pontinha  Me mostra o topo da unha do polegar – Da  a volta no muuuuuuuuuuundo inteiro e termina aqui – Conclui mostrando o topo da unha do indicador. 
           Eu a abraço mais forte ainda, essa é nossa fortaleza. Já sonhamos tanta coisas juntos durante essas horas de carinho e proximidade que podemos ter, ao mesmo tempo que são horas delimitadas transformamo-as em projetos futuros, conhecemos nossos gostos por comidas, cores, números, fantasias, idealizamos nosso casamento, nossa casa, nossa vida inteira juntinhos. O combustível dos meus dias, e sei que os dela também, são os nossos encontros, e é assim, sentindo-a em meus braços que sei que ela sempre será minha, eu sempre serei dela, seremos para sempre um do outro.
– Posso te perguntar algo muito importante? – Fico serio e noto a rápida mudança em seu semblante, ela levanta um pouco a cabeça para poder me ver melhor e assente – No céu tem pão? – Não consigo segurar e começo a gargalhar.
– Você é imensuravelmente chato, muito chato, insuportavelmente chato, a sua chatice ocupa todo o espaço ao seu redor – Me responde sorrindo e sei que é brincadeira, então ela olha no fundo dos meus olhos, e me abraça tão forte que sou capaz de sentir o pulsar do seu coração, no meu ouvida ouço o seu sussurro. 
– Eu te amo tanto, mozi! – É nessa atmosfera incrível que o alarme toca, nosso tempo acabou e preciso leva-la a rodoviária, mas ela ainda é minha e sempre voltará para mim.

[TEXTO] Viver é afogar-se?

         

         Você já se afogou? em um lago, rio, piscina ou no mar? o mais assustador sempre será no mar. Você está tranquilamente aproveitando o momento quando de repente o chão já não existe mais, a adrenalina faz o medo aparecer em menos de um segundo. Em quanto cai e se debate, até achar novamente um local de apoio a água inunda tudo a sua volta, em baixo da água tudo é escuridão e então você salta para cima em busca de ar, há um breve momento de luz em que sente que estará salva, mas volta a fundar na água, na imensidão.
           Já percebeu como afogar-se é parecido com o viver? a vida segue bela até que um momento o chão some e você cai, direto para o sofrimento, incerto e assustador. Você luta para emergir novamente, mas é inevitável retornar para dentro da água, e nesse momento tudo fica ofuscado, nada mais é nítido e um pavor enorme lhe devora. Em baixo nada faz sentido, direções são embaralhadas, sentidos perderam todos os seus efeitos. O brilho, estimulo e razão estão todos la fora, é preciso prosseguir até o próximo salto e sentir novamente o ar que enche seu pulmão de ar, de vida, de esperança, então você cai novamente no abismo destruidor, você pode se sentir fraquejar nesses períodos em que esta para baixo mas vai lutar com todas suas forças para sobreviver.
           Em ambos os casos é preciso sorte para sair ilesa dessa fatalidade, as vezes o instinto de sobrevivência fala mais alto e você consegue retornar onde a pé, para se manter fora da água ou para voltar a viver, há quem conte com ajuda de observadores, há quem não tenha tanta sorte.
          Você imagina que esse problema dura horas mas na verdade são segundos e quando chega o fim deseja nunca mais passar por isso novamente, que será mais cuidadosa, mas é inevitável perder o chão de vez em quando.

[TEXTO] Viver é afogar-se?

         

         Você já se afogou? em um lago, rio, piscina ou no mar? o mais assustador sempre será no mar. Você está tranquilamente aproveitando o momento quando de repente o chão já não existe mais, a adrenalina faz o medo aparecer em menos de um segundo. Em quanto cai e se debate, até achar novamente um local de apoio a água inunda tudo a sua volta, em baixo da água tudo é escuridão e então você salta para cima em busca de ar, há um breve momento de luz em que sente que estará salva, mas volta a fundar na água, na imensidão.
           Já percebeu como afogar-se é parecido com o viver? a vida segue bela até que um momento o chão some e você cai, direto para o sofrimento, incerto e assustador. Você luta para emergir novamente, mas é inevitável retornar para dentro da água, e nesse momento tudo fica ofuscado, nada mais é nítido e um pavor enorme lhe devora. Em baixo nada faz sentido, direções são embaralhadas, sentidos perderam todos os seus efeitos. O brilho, estimulo e razão estão todos la fora, é preciso prosseguir até o próximo salto e sentir novamente o ar que enche seu pulmão de ar, de vida, de esperança, então você cai novamente no abismo destruidor, você pode se sentir fraquejar nesses períodos em que esta para baixo mas vai lutar com todas suas forças para sobreviver.
           Em ambos os casos é preciso sorte para sair ilesa dessa fatalidade, as vezes o instinto de sobrevivência fala mais alto e você consegue retornar onde a pé, para se manter fora da água ou para voltar a viver, há quem conte com ajuda de observadores, há quem não tenha tanta sorte.
          Você imagina que esse problema dura horas mas na verdade são segundos e quando chega o fim deseja nunca mais passar por isso novamente, que será mais cuidadosa, mas é inevitável perder o chão de vez em quando.

[TEXTO] O que você faria?

          


         Você para e se pergunta coisas estranhas relacionada a mim? Digo, em determinada situação você pensa em mim e como eu reagiria? Em como um assunto me faria sentir? No aqui? No agora? Você está vivendo sua vida e se vê mesmo sem querer pensado no que eu faria? Isso ou aquilo? 
            Acho que não estou me expressando direito, quero dizer que: Esses dias eu estava escutando uma radio, não por vontade, mas quando estamos em um ambiente público e está tocando algo é meio impossível privar a audição, que em alguns casos como esse, seria a melhor coisa a se fazer... Uma música horrível começou a tocar dessas novas que só fazem apologia a sexo e bebedeira, que infelizmente grudam na cabeça e o primeiro pensamento que tive foi em como você iria tirar sarro dessa música e falar que eu amava ela, você diria que ela era minha cara, mesmo sabendo que isso não é verdade, pois nossos gostos musicais eram parecidos, o que me levou a questionar se o nosso gosto ainda continuava o mesmo, se você ainda ouvia essas musicas, nossas bandas preferidas, nossas musica favoritas.
            Você está conseguindo acompanhar meu raciocínio? Talvez se eu me aprofundar mais um pouco fique mais fácil de compreender: Eu continuo amando livros e séries, você me conhecia o suficiente para entender o tamanho do meu vicio e necessidade por essas duas coisas, isso não mudou e na verdade me machucam um pouco, pois quando acontece algo surpreendente nas histórias eu me imagino te contando como fazia, você ia esperar concentrado enquanto eu perdia o fôlego de tanto relatar os detalhes,  ia me perguntar qual personagem eu gostava enquanto pegava em minha mão e fazia carinho, quem eram os casais mais legais, como a história parecia ser incrível, enquanto sorria para mim e me motivava a continuar. Se por um acaso eu ficasse tempo demais sem te contar algo você me perguntaria o que estava acontecendo na minha leitura. E são tantas vezes em que me pego lendo ou assistindo algo e imaginado o quanto você iria adorá-la.
        Talvez eu possa falar sobre um assunto muito próprio seu, assim fica mais fácil se encaixar na minha teoria. Assisti um jornal com uma reportagem sobre novos jogos eletrônicos e era um dos seus favoritos, pensei na hora no quanto você iria ficar feliz e focado, ia aumentar o volume da tv e prestar total atenção. Quando terminasse, olharia para mim e me explicaria melhor, pois na minha mente confusa eu ainda acharia mais legal sair atirando em todos, você ia rir e falar que assim perderia o jogo. 
       Então, eu vivo rodeada desses pensamentos, em todo lugar, em todo momento, sempre surge algo que me faz lembrar-se de você, um assunto que me remete ao seu encontro. Às vezes eu rio, na maioria das vezes eu choro, não pelas dores a nós infligidas, mas por perceber que a sua ausência me machuca muito mais. 

[TEXTO] O que você faria?




 Você para e se pergunta coisas estranhas relacionada a mim? Digo, em determinada situação você pensa em mim e como eu reagiria? Em como um assunto me faria sentir? No aqui? No agora? Você está vivendo sua vida e se vê mesmo sem querer pensado no que eu faria? Isso ou aquilo?


 Acho que não estou me expressando direito, quero dizer que: Esses dias eu estava escutando uma rádio, não por vontade, mas quando estamos em um ambiente público e está tocando algo é meio impossível privar a audição, que em alguns casos como esse, seria a melhor coisa a se fazer... Uma música horrível começou a tocar dessas novas que só fazem apologia a sexo e bebedeira, que infelizmente grudam na cabeça e o primeiro pensamento que tive foi em como você iria tirar sarro dessa música e falar que eu amava ela, você diria que ela era minha cara, mesmo sabendo que isso não é verdade, pois nossos gostos musicais eram parecidos, o que me levou a questionar se o nosso gosto ainda continuava o mesmo, se você ainda ouvia essas musicas, nossas bandas preferidas, nossas musica favoritas. Você está conseguindo acompanhar meu raciocínio?


[TEXTO] Estrela cadente



        Essa é mais uma noite escura em que nada é capaz de me animar. Fecho os olhos, inspiro e expiro lentamente por três vezes, me ajuda a relaxar. Ultimamente estou tentando viver na calmaria. Ao abrir os olhos o céu continua escuro e sem estrelas, o que me faz lembrar da minha avó dizendo que quando o céu está sem estrelas no outro dia vai chover. Eu rio dessa lembrança exatamente quando o uma estrela cadente passa iluminando a escuridão noturna. O que me faz lembrar novamente dela falando que não pode apontar para a estrela cadente quando a vir, pois pode nascer uma verruga no dedo, mas pode se fazer um pedido, secreto. É assim que eu me lembro de você, do quanto a sua presença seria capaz de me devolver a alegria, eu preciso da minha felicidade novamente, você não a roubou, eu não a tomei de você também, ela só foi desaparecendo, acho que ela não vive longe de nós. Eu preciso do seu abraço que sempre me salvou da maldade do mundo, do seu contato continuo, leve, meigo e tranquilizador. Da necessidade de saciar meu desejo de te ver sorrir, de rir com você enquanto nossas conversas duravam horas. Quero essa saudade que fez morada em meu peito morra, se machuque, desabe, acabe assim que eu lhe veja novamente. Fecho os olhos e mentalizo o meu desejo com tanta intensidade, infelizmente nenhuma estrela cadente foi capaz de realizar os desejos que eu já fiz, mas talvez dessa vez ela se realize, é um dos mais impossíveis mas eu vou continuar desejando.

[TEXTO] Estrela cadente



        Essa é mais uma noite escura em que nada é capaz de me animar. Fecho os olhos, inspiro e expiro lentamente por três vezes, me ajuda a relaxar. Ultimamente estou tentando viver na calmaria. Ao abrir os olhos o céu continua escuro e sem estrelas, o que me faz lembrar da minha avó dizendo que quando o céu está sem estrelas no outro dia vai chover. Eu rio dessa lembrança exatamente quando o uma estrela cadente passa iluminando a escuridão noturna. O que me faz lembrar novamente dela falando que não pode apontar para a estrela cadente quando a vir, pois pode nascer uma verruga no dedo, mas pode se fazer um pedido, secreto.


É assim que eu me lembro de você, do quanto a sua presença seria capaz de me devolver a alegria, eu preciso da minha felicidade novamente, você não a roubou, eu não a tomei de você também, ela só foi desaparecendo, acho que ela não vive longe de nós. Eu preciso do seu abraço que sempre me salvou da maldade do mundo, do seu contato continuo, leve, meigo e tranquilizador. Da necessidade de saciar meu desejo de te ver sorrir, de rir com você enquanto nossas conversas duravam horas. Quero essa saudade que fez morada em meu peito morra, se machuque, desabe, acabe assim que eu lhe veja novamente. Fecho os olhos e mentalizo o meu desejo com tanta intensidade, infelizmente nenhuma estrela cadente foi capaz de realizar os desejos que eu já fiz, mas talvez dessa vez ela se realize, é um dos mais impossíveis mas eu vou continuar desejando.




 

 

 

[TEXTO] Ainda existe vocês

   

       Já era a décima folha que ela amassava e tentava acertar o cesto, talvez a vontade era de que as palavras fossem enterradas no lixo. Deixou o caderno cair no chão junto a velhas fotografias que ajudaram no alvoroço sentimental em que se encontrava, fechou os olhos tão forte que as pálpebras chegaram a doer, mas mesmo essa dor física era melhor que a dor no coração, cedeu ao cansaço e deitou na cama. As lagrimas brotavam como chuvas em uma tempestade, a musica do Arctic Monkeys ao fundo só tornava tudo pior, trazia lembranças de momentos que precisavam ser esquecidos, ela não era capaz de colocar todos os sentimentos, tudo que havia acontecido, tudo que estava engasgado e entalado em sua garganta, no papel elas pareciam apenas palavras mortas, e no peito ela sentia arder, sentia muito, sentia tudo que precisava desaparecer. Fazia anos e ela acreditava ter esquecido, mas de onde esse sentimento escapou? havia uma brecha por onde ele passou e veio para mostrar que ainda existia? E quando percebeu que ainda mexia com todo o seu ser, ela desmoronou. Era tão cômico pois estava e vivia o que queria, ela fugiu de você, e agora se encontrava de fronte aos velhos sentimentos.
         Ela virou o rosto e viu uma foto bem na beiradinha da cama, quase caindo, quase desaparecendo. Esticou o braço e a pegou antes que se fosse, e era a foto favorita de vocês, entre tantas fotografias essa fora tão especial, a primeira tirada, onde ainda havia um constrangimento hilariante, ficou encarando a fotografia com tanta sensibilidade, o que ela mesma sentia naquele momento, e como você havia prometido ficar com ela para sempre. Ela acreditou que esqueceria pois a raiva que sentia era tão grande, e você a conhecia o suficiente para saber o quanto de orgulho cabia naquele corpinho tão pequeno, mas ela ainda pensa em você, ainda vive você, ainda existe vocês!
        Desde que essa fagulha desesperadora reapareceu a estabilidade emocional está pendendo, ela sabe que não será capaz de terminar essa carta, e que nunca a enviaria. Senta na cama, a na frente o espelho mostra o vislumbre da antiga menina que vivia uma felicidade e não foi capaz de a proteger, agora a maturidade está lhe trazendo infelicidade em parcelas. Os papeis jogados no chão lhe mostram que não será fácil escrever, então pega a foto e coloca no envelope de envio, talvez apenas uma imagem seja capaz de transmitir tudo que precisa ser dito.
     

[TEXTO] Se eu não tivesse...

       


         Agora eu me questiono, não que antes não o fizesse porem o peso se tornou um fardo enorme. Se eu não tivesse estudado até tarde para esse concurso que para mim significava vida ou morte (olha a trágica referencia) eu não teria acordado com meia hora de atraso, exatamente 30 minutos que me levaram a onde estou...
          Eu não teria me arrumado as pressas desesperada com esse deslise, não teria chegado ao trabalho esbaforida de tanto correr. Por sorte meu chefe nunca foi um desses trogloditas que querem a pele de seus funcionários, quando cheguei lá fui logo me explicar e ele apenas me pediu para ficar esses monstruosos minutos de atraso depois do expediente. O dia geralmente já era cansativo mas nesse em questão foi maior, acho que o universo persentia o que iria acontecer. Eu era toda felicidade pois ficar até mais tarde não era uma das piores advertências, porem teria menor tempo para estudar.
         Se tudo isso não tivesse acontecido eu não teria pegado o circular as 20:00 hrs totalmente esgotada e cansada, porem no momento a vida seguia e o sonho de finalmente alcançar o que eu queria não estava tão longe, talvez mais alguns meses nessa correria e tudo ficaria bem, mais calmo e tranquilo, aquele pensamento me fez sorrir como em anos não fazia.
         Seu não tivesse acordado atrasada não desceria no ponto final exatamente no momento em que o poste na quadra de cima queimou. Nunca fui medrosa, porem as pessoas e suas crueldades ultimamente me botavam um pouco de medo sim, analisando as minhas opções decidi ir pela outra quadra onde havia o outro poste em perfeito funcionamento.
         Se eu não desejasse tanto passar nesse concurso, se eu não sonhasse por uma vida melhor, se eu não pegasse esse ônibus, se eu não tivesse medo das pessoas, pois elas deveriam ser boas afinal de contas... eu não teria seguido tranquilamente pela calçada, e enquanto eu chegava perto da esquina com o poste que ainda funcionava, não teria me sentido tão mal, e também não teria batido de frente com aquele rapaz ao virar a esquina, dali eu via a minha casa, solitária como eu, aconchegante e quentinha, como eu não fiquei, ela ainda está me esperando eu acho.
         Eu vi seu olhar e isso bastou para me dizer que aquele era o meu fim, não vi de onde veio, na verdade nem a dor da faca sendo enfiada em minha barriga me despertou, foi o medo, a paralisia de saber que por dormir por mais 30 minutos eu estava ali, naquela hora, sendo tirada de mim.
         A minha vida naquele dia foi um grande SE, eu sempre me questionava de brincadeira com esses SE, mas agora eu entendo que eles me levaram a morte.

[TEXTO] Se eu não tivesse...

       


         Agora eu me questiono, não que antes não o fizesse porem o peso se tornou um fardo enorme. Se eu não tivesse estudado até tarde para esse concurso que para mim significava vida ou morte (olha a trágica referencia) eu não teria acordado com meia hora de atraso, exatamente 30 minutos que me levaram a onde estou...
          Eu não teria me arrumado as pressas desesperada com esse deslise, não teria chegado ao trabalho esbaforida de tanto correr. Por sorte meu chefe nunca foi um desses trogloditas que querem a pele de seus funcionários, quando cheguei lá fui logo me explicar e ele apenas me pediu para ficar esses monstruosos minutos de atraso depois do expediente. O dia geralmente já era cansativo mas nesse em questão foi maior, acho que o universo persentia o que iria acontecer. Eu era toda felicidade pois ficar até mais tarde não era uma das piores advertências, porem teria menor tempo para estudar.
         Se tudo isso não tivesse acontecido eu não teria pegado o circular as 20:00 hrs totalmente esgotada e cansada, porem no momento a vida seguia e o sonho de finalmente alcançar o que eu queria não estava tão longe, talvez mais alguns meses nessa correria e tudo ficaria bem, mais calmo e tranquilo, aquele pensamento me fez sorrir como em anos não fazia.
         Seu não tivesse acordado atrasada não desceria no ponto final exatamente no momento em que o poste na quadra de cima queimou. Nunca fui medrosa, porem as pessoas e suas crueldades ultimamente me botavam um pouco de medo sim, analisando as minhas opções decidi ir pela outra quadra onde havia o outro poste em perfeito funcionamento.
         Se eu não desejasse tanto passar nesse concurso, se eu não sonhasse por uma vida melhor, se eu não pegasse esse ônibus, se eu não tivesse medo das pessoas, pois elas deveriam ser boas afinal de contas... eu não teria seguido tranquilamente pela calçada, e enquanto eu chegava perto da esquina com o poste que ainda funcionava, não teria me sentido tão mal, e também não teria batido de frente com aquele rapaz ao virar a esquina, dali eu via a minha casa, solitária como eu, aconchegante e quentinha, como eu não fiquei, ela ainda está me esperando eu acho.
         Eu vi seu olhar e isso bastou para me dizer que aquele era o meu fim, não vi de onde veio, na verdade nem a dor da faca sendo enfiada em minha barriga me despertou, foi o medo, a paralisia de saber que por dormir por mais 30 minutos eu estava ali, naquela hora, sendo tirada de mim.
         A minha vida naquele dia foi um grande SE, eu sempre me questionava de brincadeira com esses SE, mas agora eu entendo que eles me levaram a morte.

[TEXTO] Eu vou lembrar dela



         Ontem eu liguei a tv e estava passando o filme favorito dela. Ele não é bom e nem tem algo glorioso, nem si quer foi indicado ao Oscar. Na verdade foi categorizado para adolescentes. Mas não era por sua qualidade que ela gostava, ela simplesmente o adorava e todas as vezes que o via se encantava, me chamava para conversar e o sorriso ia de orelha a orelha. 
          Ontem eu vi aquele filme completo e me lembrei dela, do tempo em que estar com ela era natural. Lembrei dos chingos por estripulias e das conversas amigas. Do quanto ela foi um pedacinho de mim e de todos nós. 
           É difícil acreditar que hoje ela não está mais entre nós, que sua risada e sua voz só existem em nossas lembranças, todo o seu jeito e suas manias vão ser diluídas com o tempo.
            Ontem eu lembrei dela, hoje também. E vou me lembrar para o resto da vida, pois ela me marcou tanto e sempre ficará presente em meu coração. 

[TEXTO] Eu vou lembrar dela



         Ontem eu liguei a tv e estava passando o filme favorito dela. Ele não é bom e nem tem algo glorioso, nem si quer foi indicado ao Oscar. Na verdade foi categorizado para adolescentes. Mas não era por sua qualidade que ela gostava, ela simplesmente o adorava e todas as vezes que o via se encantava, me chamava para conversar e o sorriso ia de orelha a orelha. 
          Ontem eu vi aquele filme completo e me lembrei dela, do tempo em que estar com ela era natural. Lembrei dos chingos por estripulias e das conversas amigas. Do quanto ela foi um pedacinho de mim e de todos nós. 
           É difícil acreditar que hoje ela não está mais entre nós, que sua risada e sua voz só existem em nossas lembranças, todo o seu jeito e suas manias vão ser diluídas com o tempo.
            Ontem eu lembrei dela, hoje também. E vou me lembrar para o resto da vida, pois ela me marcou tanto e sempre ficará presente em meu coração. 

[TEXTO] A dor do silêncio




        Quando o vi naquele estado o impacto devastador foi inevitável, sabia que se tratava de uma monstruosidade mas não imaginava o tamanho da gravidade. Fechei os olhos na esperança do estrago sumir, mas não sumiria tão fácil assim, o pior é que ela iria ficar nas suas lembranças. 
- O que aconteceu? - perguntei na esperança que daquela vez ele me contesse o que houve, que para mim ele falasse  toda a verdade. 
- Eu já contei, não quero mais falar sobre isso. - Ele respondeu com sua voz baixa e tremula, nos seus olhos eu vi medo, terror de que qualquer palavra o entregasse ao monstro que o atacou.
         Involuntariamente chorei, sinti lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Quando se trata dele que amo tanto, não me controlo. Ele ergueu a cabeça de vagar, de onde estava vi perfeitamente a pele arroxeada começando a ficar verde nas bordas. Ele me olhou nos olhos e começou a chorar também. O abraçei tão forte, tentei com esse gesto apagar todo o mal que ele teve de passar quietinho, infelizmente esse era apenas meu desejo. 
          Não sei como a maldade nasceu, mas quando ela atacou meu pequeno ser tão indefeso, acabou me quebrando também. 

[TEXTO] A dor do silêncio




        Quando o vi naquele estado o impacto devastador foi inevitável, sabia que se tratava de uma monstruosidade mas não imaginava o tamanho da gravidade. Fechei os olhos na esperança do estrago sumir, mas não sumiria tão fácil assim, o pior é que ela iria ficar nas suas lembranças. 
- O que aconteceu? - perguntei na esperança que daquela vez ele me contesse o que houve, que para mim ele falasse  toda a verdade. 
- Eu já contei, não quero mais falar sobre isso. - Ele respondeu com sua voz baixa e tremula, nos seus olhos eu vi medo, terror de que qualquer palavra o entregasse ao monstro que o atacou.
         Involuntariamente chorei, sinti lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Quando se trata dele que amo tanto, não me controlo. Ele ergueu a cabeça de vagar, de onde estava vi perfeitamente a pele arroxeada começando a ficar verde nas bordas. Ele me olhou nos olhos e começou a chorar também. O abraçei tão forte, tentei com esse gesto apagar todo o mal que ele teve de passar quietinho, infelizmente esse era apenas meu desejo. 
          Não sei como a maldade nasceu, mas quando ela atacou meu pequeno ser tão indefeso, acabou me quebrando também. 

[TEXTO] A dor me faz viver



          As imagens passavam com rapidez pelo vidro do carro, o que me causava tontura, ânsia e um completo desespero. Eu fingia que o escutava e apenas concordava, nunca consegui explicar meus sentimentos mesmo.
- Eu só quero entender, é tão difícil e estranho tudo isso.
Eu virei o rosto e o fitei, ele estava completamente exasperado e não se concentrava na estrada o que  sempre acontecia quando tentava me repreender.
- Não tem nada para entender, eu sou assim e pronto.
- Isso é impossível, você é assim? Amante das tristezas, companheira da melancolia e completamente apaixonada pela auto-destruição? - ele disse ironicamente tentando me magoar, eu já me acostumará com esse ato de rebeldia. Fechei os olhos tentando achar uma resposta suficiente.
- Eu não sei o que sou, tá bem? só sei que todos esses sentimentos medonhos e sem graça para você me conquistam e sempre me ganham. No geral eu não sinto nada, mas quando há dor eu posso enfim sentir, ao menos algo me faz sentir viva, e essa dor é ótima e sem descrições. - ele não iria aceitar essa resposta como todas as outras ele já havia descartado, não adiantava tentar explicar algo que somente eu sentia. 
- As vezes eu acho que você é louca, quer dizer, sempre acho. Você ouviu o que acabou de dizer? Se sente viva com as dores? Hahaha você é totalmente masoquista, tá? completamente linda por fora mas por dentro há tanta mutilação em seu ser que nem você pode agüentar.
          Eu aceito essa verdade, quem nunca as aceita são as pessoas ao meu lado. Abri os olhos e ele me olhava com aquela súplica escondida, para eu ser uma menina normal, uma garota melhor e uma mulher responsável. Eu iria dizer sim, que dessa vez tentaria mudar mas o som agudo de uma buzina nos assustou olhamos uma luz forte vindo em nossa direção, para nosso fim e libertação. 

[TEXTO] A dor me faz viver



          As imagens passavam com rapidez pelo vidro do carro, o que me causava tontura, ânsia e um completo desespero. Eu fingia que o escutava e apenas concordava, nunca consegui explicar meus sentimentos mesmo.
- Eu só quero entender, é tão difícil e estranho tudo isso.
Eu virei o rosto e o fitei, ele estava completamente exasperado e não se concentrava na estrada o que  sempre acontecia quando tentava me repreender.
- Não tem nada para entender, eu sou assim e pronto.
- Isso é impossível, você é assim? Amante das tristezas, companheira da melancolia e completamente apaixonada pela auto-destruição? - ele disse ironicamente tentando me magoar, eu já me acostumará com esse ato de rebeldia. Fechei os olhos tentando achar uma resposta suficiente.
- Eu não sei o que sou, tá bem? só sei que todos esses sentimentos medonhos e sem graça para você me conquistam e sempre me ganham. No geral eu não sinto nada, mas quando há dor eu posso enfim sentir, ao menos algo me faz sentir viva, e essa dor é ótima e sem descrições. - ele não iria aceitar essa resposta como todas as outras ele já havia descartado, não adiantava tentar explicar algo que somente eu sentia. 
- As vezes eu acho que você é louca, quer dizer, sempre acho. Você ouviu o que acabou de dizer? Se sente viva com as dores? Hahaha você é totalmente masoquista, tá? completamente linda por fora mas por dentro há tanta mutilação em seu ser que nem você pode agüentar.
          Eu aceito essa verdade, quem nunca as aceita são as pessoas ao meu lado. Abri os olhos e ele me olhava com aquela súplica escondida, para eu ser uma menina normal, uma garota melhor e uma mulher responsável. Eu iria dizer sim, que dessa vez tentaria mudar mas o som agudo de uma buzina nos assustou olhamos uma luz forte vindo em nossa direção, para nosso fim e libertação. 

📚 Produtora de conteúdos literários, cinematográficos, séries, mundo geek e cultura pop! 🖊 Escrevo nas horas vagas sobre as dores da alma!

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TÍTULO:  50 Vidas - Silêncio das almas perdidas ANO DE LANÇAMENTO:   2023 EDITORA:  Chiado     NUMERO DE PAGINAS:  106 CLASSIFICAÇÃO...

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